1.Varíola – Tratamento

Varíola

Todas as pessoas que apresentam manifestações clínicas compatíveis com varicela devem ser avaliadas por médico tão logo possível. A consulta inicial, além de possibilitar a confirmação (ou não) da suspeita  clínica por profissional habilitado, permite avaliar a necessidade de intervenção terapêutica específica, esclarecer quanto às medidas importantes para evitar complicações e orientar corretamente para o reconhecimento dos indícios de gravidade que exijam reavaliação médica.

 

Diversas drogas antivirais (aciclovir, valaciclovir, famciclovir) possuem ação sobre o vírus varicela-zóster e estão disponíveis para o tratamento específico da varicela, embora somente o aciclovir esteja, até o momento, liberado para uso em crianças.  Estas drogas não são capazes de eliminar o vírus varicela-zóster, porém podem reduzir a duração da doença e o número de lesões cutâneas. Os benefícios do uso dos antivirais parecem mais evidentes nas circunstâncias em que o  risco de evolução mais grave é considerável, como no caso de imunodeficientes.  Podem também ser úteis na varicela dos adultos e adolescentes.  A segurança do uso destas drogas em gestantes não foi estabelecida de forma inequívoca, restringindo-se sua utilização (particularmente no primeiro trimestre) aos casos com manifestações graves.

 

Não parece haver benefício suficiente para  justificar o emprego sistemático da terapêutica específica em crianças saudáveis (de 1 a 12 anos) acometidas por varicela e que não tenham indícios de gravidade, desde que não sejam contactantes intradomiciliares. O tratamento está particularmente indicado quando a varicela ocorre em adultos e adolescentes (acima de treze anos), em indivíduos imunodeficientes de qualquer idade, em  recém-nascidos de mães que desenvolveram varicela próximo ao parto e em prematuros. A terapêutica antiviral deve ainda ser considerada para os menores de 1 ano (faixa etária para a qual a vacina não pode ser indicada), para as crianças de qualquer idade em uso crônico de ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®) ou em tratamento com corticóides (ainda que intermitente ou inalatório), para as crianças portadoras de doenças cutâneas e pulmonares crônicas e para os casos secundários intra-domiciliares de qualquer idade.

 

A eficácia da terapêutica antiviral está associada a atuação da droga sobre a replicação do vírus e, portanto, deve ser iniciada precocemente, de preferência nas primeiras 24 horas após o início das manifestações. Em pessoas saudáveis, a multiplicação do vírus se reduz progressivamente e tende a cessar após 72 horas do aparecimento das lesões cutâneas. Este período, contudo, pode se prolongar nos indivíduos com imunodeficiência. Atrasos na introdução da terapia antiviral são particularmente injustificáveis na abordagem dos contactantes, que deveriam estar adequadamente orientados para reconhecer as manifestações iniciais da varicela (incluindo febre) e procurar imediatamente atendimento médico, o que viabilizaria, nos casos com indicação, a introdução da terapêutica no momento correto.

 

A terapia específica no caso de adolescentes e adultos saudáveis poderá ser feita por via oral, desde que as doses e intervalos sejam adequadamente ajustados. No caso de imunodeficientes é recomendável que pelo menos o início da terapêutica seja feita por via endovenosa. Todas as pessoas (inclusive crianças e gestantes) com comprometimento pulmonar, hepático (fígado) e do sistema nervoso central devem ser internados e receber tratamento endovenoso.

 

Os antitérmicos (paracetamol, dipirona), caso sejam necessários, podem ser utilizados para controlar a febre. Os medicamentos que contenham em sua formulação o ácido acetil-salicílico (AAS®, Aspirina®, Doril®, Melhoral® etc) não devem ser usados em crianças com varicela, pela possibilidade de Síndrome de Reye (doença rara, de alta letalidade, caracterizada pelo comprometimento do sistema nervoso central e do fígado associado ao uso deste medicamento durante infecções virais em crianças). O uso do ácido acetil-salicílico, por provocar alterações na função das plaquetas, pode ainda  aumentar o risco de episódios de sangramentoem pessoas de qualquer idade.

 

O prurido pode ser atenuado com banhos ou compressas frias e com a aplicação de soluções líquidas contendo cânfora ou mentol ou óxido de zinco. Quando muito intenso, pode ser necessário utilizar medicamentos (como a dexclorfeniramina ou a cetirizina), ajustando-se a dose pelo peso do doente, para evitar sonolência excessiva.

 

Para reduzir o risco de infecção bacteriana na pele, principalmente em crianças, as unhas devem ser cortadas para evitar traumatismo durante o ato de coçar. A higiene corporal deve ser observada, bastando para isto a limpeza com água e sabão. Não existe comprovação científica de benefício do uso de substâncias como o permanganato de potássio e soluções iodadas para a higiene das lesões de pele. Esta prática, pode ainda resultar em danos, incluindo queimaduras e reações alérgicas. Quando ocorrerem, as complicações bacterianas (infecção secundária da pele, pneumonia e sepse) devem ser tratadas com antibióticos adequados, que devem visar as bactérias mais comumente envolvidas. O emprego de penicilina benzatina (Benzetacil®, Benzilpenicilina Benzatina® etc) com esta finalidade não se justifica, uma vez que o Staphylococcus aureus, um dos principais agentes de infecção secundária na varicela, é quase que sistematicamente resistente a este antibiótico. Quando necessário, deve ser realizada a drenagem cirúrgica de coleções purulentas.
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